sábado, 11 de setembro de 2010

Lembrança





Bom tempo o que ficou - amei-te na alegria

de uma tarde azulada e linda de setembro,


- disso tudo, hoje, triste, eu muita vez me lembro


enquanto uma saudade o peito meu crucia...



Amei-te, como nunca outro alguém te amaria,


eras o meu sonhar de janeiro a dezembro...


Depois... Tu me deixaste, e ainda hoje se relembro,


amargo a mesma dor cruel daquele dia. . .



Agora, em solidão - sou um corpo sem alma -,


e indiferente a tudo vou chegando ao fim


como a tarde que cai bem suavemente em calma.



Já não sinto... não sofro... já nem vivo até.


- Se a vida ainda era vida ao ter-te junto a mim,


hoje, longe de ti, nem vida ao menos é!

***

J. G. de Araújo Jorge

Foto: Liz Guides

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