sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Madrigal


Madrigal

***


Gosto de te falar de amor, do nosso amor,

retendo em minhas mãos as tuas mãos pequenas,

- quando a tarde no céu põe desmaios de cor

e há no espaço um rumor inaudível de penas ...

*


Gosto de conversar com os teus olhos estranhos

no silêncio feliz de intérminos idílios,

- inebria-me a luz dos teus olhos castanhos

através do "abat-jour" de seda dos teus cílios...

*


Gosto de te falar de amor, falar baixinho...

Tudo o que então te digo, a sós, nesses instantes,

é assim como o arrulhar amoroso de um ninho

ou o rumor de uma fonte em lugares distantes...

*


Gosto de te falar de amor, - sentir que aos poucos

vamos ficando tontos, sem querer, os dois...

E te ouço a me dizer que não! que somos loucos!

- e te entregas inteira em meus braços depois...

*


Gosto de te falar de amor, - pela expressão

de amor que há nos teus olhos quando assim te falo,

- por tudo o que teus gestos pródigos darão

na embriaguez do segundo eterno em que me calo ...

*

Gosto de te falar de amor, - nesta certeza

de que gostas também que te fale de amor...

- És a terra que vive! - e eu sou a correnteza

que canta e que fecunda a terra e a enche de flor!

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Poema de J. G. de Araújo Jorge, extraído do livro"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou", Vol. II - 1a edição ,1965.

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